A moça do ônibus

Sem desculpas pela ausência, pelo menos por hoje.
Enfim, venho por meio deste contar um episódio acontecido há alguns dias atrás, com a minha pessoa.
Estava eu, no ônibus que pego todo dia para ir ao trabalho [Linha T3], lotado como sempre. Pessoas empurrando-se em um alvoroço de dar pena de quem estava em pé. Aliás, o ônibus é sempre assim: uma briga quieta por lugares melhores no corredor, pessoas extressadas já na primeira hora da manhã, mal esperando que o seu dia do trabalho faça isso pelo seus humores.
Enfim, perdido em devaneios tolos pelas ruas da capital gaúcha, com os fones de ouvido em um certo volume que brigava com o som do motor e das hostilidades alheias. Além, é claro, contrastando com a voz de um senhor sentado em um dos bancos antes do roleta, que projetava alto a sua voz de forma aleatória.
O empurra-empurra continuava feroz quando uma moça, que neste primeiro momento não teve a devida atenção recebida, subiu no ônibus. Tentou galgar um bom espaço, e achou melhor não arriscar ir até o final do carro, decidiu ficar por ali mesmo, perto da roleta. Quando meus olhos cruzaram por ela, percebi que ela não conseguia conter o riso. Em um primeiro momento, pensei que ela estava ouvindo algo engraçado nos seus fones de ouvido. Uma piada, uma música engraçada, alguma coisa que lembrasse algum momento alegre da sua vida, enfim. Novamente, não dei muita atenção ao ocorrido.
Porém, notei que ela não parava de rir, tentava segurar, mas não conseguia. Logo notei também que ela, ao contrário do que tinha pensado, não usava fones de ouvido nem qualquer outro acessório que pudesse ser o motivo deste mal súbito de riso. Logo, parei para prestar atenção neste episódio. E ela continuava a não conter o riso. Isso me contagiou, e eu também ri, ela não notou, e isso também não importa, mas fui pensando nisso o resto da viagem.
Chegando ao meu local de trabalho, entre um parafuso e outro, contava o acontecido para meu amigo e colega de trabalho Wagner. E cada vez que eu falava, não conseguia conter o meu riso. Passei o dia assim, toda vez que lembrava, começava a rir sem parar, sem conseguir conter o riso. Logo, parei para analisar toda a situação, e percebi que, talvez, eu estava participando de uma corrente invisível de pessoas, na qual um contagiaria o transeunte seguinte com uma incontrolável vontade de rir, do nada.
Pode parecer bobagem, mas isso melhorou meu dia, minha semana. Rir sem motivo foi a minha terapia para passar por um período bem extressante no emprego.
Acredito mesmo que consegui contagiar alguém. Acredito que alguma pessoa chegou para o seu amigo e contou que viu um rapaz rindo-se sozinho na rua, sem motivos, apenas rindo. E acabou, no mínimo, sorrindo ao lembrar, talvez pelo fato de ser engraçado, talvez pelo fato de ter sido atingido por esta corrente.
Enfim, não sei o que aconteceu, não sei se estou certo. Só sei que descobri um bom remédio que já havia esquecido há algum tempo: rir sem motivo.

Minha dica para todos é: riam sem motivos, e foda-se o mundo a sua volta, teu sorriso vai fazer o dia de alguém melhor.

1 coment(s):

Heryk Slawski disse...

Eu sorri depois de ler este post =D

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